O Citalopram é um antidepressivo com ação inibitória forte e seletiva sobre a recaptação de 5-hidroxitriptamina (5-HT, serotonina).
Não ocorre tolerância ao efeito inibitório do Citalopram na recaptação de 5-HT durante o tratamento de longa duração. O efeito antidepressivo está provavelmente associado com a inibição específica da recaptação de serotonina nos neurónios cerebrais.
O Citalopram não possui praticamente nenhum efeito na recaptação neural de noradrenalina, dopamina e ácido gama-aminobutírico.
O Citalopram não apresenta, ou apresenta apenas muito pouca, afinidade para recetores colinérgicos, histaminérgicos e uma variedade de recetores adrenérgicos, serotoninérgicos e dopaminérgicos.
O Citalopram é um derivado bicíclico do isobenzofurano, que não está quimicamente relacionado com os antidepressivos tricíclicos nem tetracíclicos, nem com outros antidepressivos disponíveis.
Os principais metabólitos do Citalopram também são inibidores seletivos da recaptação de serotonina, embora em menor grau. Não foi referido que os metabólitos contribuam para o efeito antidepressivo global.
Os resultados de um estudo controlado por placebo, com dupla ocultação, levado a cabo em indivíduos saudáveis, evidenciaram uma alteração do intervalo QTc de base (correção de Fredericia) de 7,5 mseg (90% IC 5,9-9,1 mseg) com uma dose diária de 20 mg e de 16,7 mseg (90% IC 15,0-18,4 mseg) com a dose diária de 60 mg.
⚠️ Avisos
Gravidez
Gravidez:
Citalopram pode ser usado durante a gravidez se clinicamente necessário.
Aleitamento
Aleitamento:
As vantagens da amamentação deverão ser superiores aos potenciais efeitos indesejáveis para a criança.
Insuf. Hepática
Insuf. Hepática:
Ver Antidepressores.
Insuf. Renal
Insuf. Renal:
Usar com precaução para Cl cr < 30 ml/minuto.
Condução
Condução:
O Citalopram possui uma influência pequena ou moderada na capacidade de conduzir e utilizar máquinas. Os medicamentos psicoativos podem reduzir a capacidade de tomar decisões e reagir a emergências. Os doentes deverão ser informados sobre estes efeitos e alertados de que a sua capacidade de conduzir um automóvel ou operar maquinaria poderá ficar afectada
O Citalopram deverá ser prescrito na menor quantidade eficaz, de modo a minimizar o risco de sobredosagem.
Tratamento de doentes idosos e doentes com insuficiência renal e função hepática reduzida.
As seguintes advertências e precauções especiais aplicam-se à classe terapêutica dos ISRS (Inibidores seletivos da recaptação da Serotonina).
Utilização em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade
O Citalopram não deverá ser utilizado no tratamento de crianças ou de adolescentes com idades inferiores a 18 anos.
Em ensaios clínicos em crianças e adolescentes tratados com antidepressivos foram observados mais frequentemente comportamentos relacionados com o suicídio (tentativas de suicídio e pensamentos suicidas), e hostilidade (predominantemente agressão, comportamento de oposição e fúria) em comparação com os que foram tratados com placebo.
Se, apesar disso, com base na necessidade clínica, for tomada a decisão de efectuar tratamento, o doente deverá ser cuidadosamente monitorizado relativamente ao surgimento de sintomas suicidas.
Além disso, não existem dados de segurança a longo prazo em crianças e adolescentes relativos ao crescimento, à maturacção e ao desenvolvimento cognitivo e comportamental.
Ansiedade paradoxal
Alguns doentes com perturbação de pânico experimentam sintomas aumentados de ansiedade no início do tratamento com antidepressivos.
Esta reação paradoxal normalmente desaparece em 2 semanas durante o tratamento continuado.
É aconselhada uma dose inicial baixa para reduzir a probabilidade de um efeito ansiogénico.
Convulsões
As convulsões são um risco potencial da terapêutica com antidepressivos.
O Citalopram deverá ser suspenso em qualquer doente que desenvolva convulsões.
Os ISRS deverão ser evitados em doentes com epilepsia instável e a utilização em doentes com epilepsia controlada deverá ser cuidadosamente monitorizada.
Os ISRS deverão ser suspensos se ocorrer um aumento da frequência de convulsões.
Mania
Os ISRS deverão ser utilizados com precaução em doentes com uma história de doença maníaco-depressiva. Pode ocorrer uma alteração para a fase maníaca.
Os ISRSs deverão ser suspensos em qualquer doente que entre numa fase maníaca.
Diabetes
Em doentes com diabetes, o tratamento com um ISRS poderá alterar o controlo glicémico. A dose de insulina e/ou antidiabéticos orais poderá necessitar de ser ajustada.
Suicídio/pensamentos suicidas
A depressão está associada a um risco aumentado de pensamentos suicidas, autoagressão e suicídio (pensamentos/comportamentos relacionados com o suicídio).
Este risco persiste até ocorrer remissão significativa dos sintomas.
Dado que pode não ocorrer melhoria durante as semanas iniciais de tratamento ou durante mais tempo, os doentes deverão ser alvo de uma monitorização mais rigorosa até que essa melhoria ocorra.
De acordo com a prática clínica geral, o risco de suicídio pode aumentar nas fases iniciais de recuperação.
Outras perturbações psiquiátricas para as quais o Citalopram é prescrito podem estar também associadas com um risco aumentado de pensamentos/comportamentos relacionados com o suicídio.
Além disso, estas perturbações podem ser comórbidas com o distúrbio depressivo major.
As mesmas precauções que se observam quando se tratam doentes com distúrbio depressivo major deverão portanto ser observadas quando se tratam doentes com outras perturbações psiquiátricas.
Os doentes com uma história de pensamentos/comportamentos relacionados com o suicídio, que apresentem um grau significativo de ideação suicida antes do início do tratamento sabe-se que têm um risco maior de pensamentos suicidas ou de tentativas de suicídio, devendo ser alvo de uma monitorização cuidadosa durante o tratamento.
Uma meta-análise de ensaios clínicos controlados com placebo de medicamentos antidepressivos em doentes adultos com distúrbios psiquiátricos revelaram um risco aumentado de comportamentos suicidas com antidepressivos quando comparados com placebo em doentes com menos de 25 anos de idade.
A terapêutica deve ser acompanhada por uma vigilância rigorosa dos doentes e em particular dos que se encontram em maior risco, especialmente no início do tratamento e após alterações de dosagem.
Os doentes (e os prestadores de cuidados aos doentes) deverão ser alertados sobre a necessidade de monitorizar qualquer agravamento clínico, comportamento ou ideação suicida e alterações de comportamento invulgares e a procurar imediatamente assistência médica se estes sintomas ocorrerem.
Acatisia/agitação psicomotora
A utilização de ISRS/IRSN foi associada com o desenvolvimento de acatisia, caracterizada por uma agitação e uma necessidade de se mover subjectivamente desagradável ou perturbadora e frequentemente acompanhada por uma incapacidade de ficar parado, tanto sentado como em pé. A ocorrência deste sintoma é mais frequente nas primeiras semanas de tratamento. Em doentes que desenvolvem estes sintomas, o aumento da dose pode ser prejudicial.
Hiponatremia
A hiponatremia, provavelmente devida a secreção inapropriada de hormona antidiurética (SIADH), foi notificada raramente com a utilização de ISRS e geralmente resolve-se com a suspensão da terapêutica. Deverá ser tomada precaução em doentes em risco, tais como idosos, doentes cirróticos ou doentes tratados concomitantemente com medicação conhecida por provocar hiponatremia.
As doentes idosas parecem ter um risco particularmente elevado.
Hemorragia
Houve notificações de tempo de hemorragia prolongado e/ou anomalias hemorrágicas, como equimoses, hemorragias ginecológicas, hemorragias gastrointestinais e outras hemorragias cutâneas ou mucosas, durante o tratamento com alguns ISRS.
É aconselhada precaução em doentes que estão a tomar ISRS, particularmente na utilização concomitante com substâncias ativas conhecidas por afetar a função plaquetária, ou outras substâncias ativas que possam aumentar o risco de hemorragia, bem como em doentes com uma história de distúrbios hemorrágicos.
Síndrome da serotonina
É aconselhável precaução se o Citalopram for utilizado concomitantemente com medicamentos com efeitos serotoninérgicos, como o sumatriptano ou outros triptanos, linezolida, tramadol e triptofano.
Em casos raros, a síndrome da serotonina foi notificada em doentes que estavam a utilizar concomitantemente ISRS com medicamentos serotoninérgicos.
Uma combinação de sintomas, como agitação, tremor, mioclonia e hipertermia, poderá indicar o desenvolvimento desta patologia.
O tratamento com Citalopram deverá ser imediatamente suspenso e iniciado tratamento sintomático.
Hipericão
A utilização concomitante de ISRS e medicamentos à base de plantas que contenham hipericão (Hypericum perforatum) poderá resultar numa incidência aumentada de reações adversas.
Portanto, Citalopram e preparações com hipericão não devem ser tomadas concomitantemente.
Terapia electroconvulsiva (TEC)
Há pouca experiência clínica com a administração simultânea de Citalopram e terapia electroconvulsiva, portanto é aconselhável precaução.
Psicose
O tratamento de doentes psicóticos com episódios depressivos pode aumentar os sintomas psicóticos.
Insuficiência renal
A utilização de Citalopram em doentes com insuficiência renal grave (depuração de creatinina inferior a 30 ml/min.) não é recomendada, pois não está disponível
nenhuma informação sobre a utilização nestes doentes.
Insuficiência hepática
Em casos de insuficiência hepática é recomendada uma redução da dose e a função hepática tem de ser alvo de uma monitorização apertada.
Ajuste da dose
No início do tratamento, podem ocorrer insónias e agitação.
Poderá ser útil um ajuste da dose.
Prolongamento do intervalo QT
O Citalopram demonstrou causar prolongamento do intervalo QT dependente da dose.
Foram notificados, na fase pós-comercialização, casos de prolongamento do intervalo QT e arritmia ventricular, incluindo torsades de pointes, maioritariamente em doentes do sexo feminino, doentes com hipocaliemia ou doentes com prolongamento pré-existente do intervalo QT ou outras doenças cardíacas.
Recomenda-se particular precaução no caso de doentes com bradicardia significativa, enfarte agudo do miocárdio recente ou insuficiência cardíaca descompensada.
Distúrbios electrolíticos como hipocaliemia e hipomagnesiemia aumentam o risco de arritmias malignas e devem ser corrigidos antes do início do tratamento com Citalopram.
Deve ser ponderada a realização de um ECG antes de se iniciar o tratamento com Citalopram em doentes com doença cardíaca estável.
Se ocorrer algum sinal de arritmia cardíaca durante o tratamento, este deve ser suspenso e deve ser realizado um ECG.
Sintomas de abstinência observados na suspensão
Os sintomas de abstinência quando o tratamento é suspenso são frequentes, particularmente se a interrupção for abrupta.
Num ensaio clínico de prevenção de recorrência com Citalopram, os acontecimentos adversos observados após a suspensão do tratamento ativo ocorreram em 40% dos doentes versus 20% em doentes que continuaram o tratamento com Citalopram.
O risco de sintomas de abstinência pode depender de vários fatores, incluindo a duração e a dose da terapêutica e a velocidade de redução da dose.
Foram notificadas tonturas, alterações sensoriais (incluindo parestesia e sensações de choque elétrico), perturbações do sono (incluindo insónias e sonhos intensos), agitação ou ansiedade, náuseas e/ou vómitos, tremor, confusão, sudação, cefaleia, diarreia, palpitações, instabilidade emocional, irritabilidade e perturbações visuais após a suspensão de ISRS/IRSN. Geralmente estes sintomas são ligeiros a moderados; contudo, nalguns doentes podem ser de intensidade grave.
Habitualmente ocorrem nos primeiros dias após a suspensão do tratamento, mas ocorreram notificações muito raras desses sintomas em doentes que inadvertidamente se esqueceram de uma dose.
Geralmente estes sintomas são auto limitados e normalmente resolvem-se em 2 semanas, embora em alguns indivíduos possam ser prolongados (2-3 meses ou mais).
É portanto aconselhável que, quando se interromper o tratamento, a dose do Citalopram seja gradualmente reduzida ao longo de um período de várias semanas ou meses, de acordo com as necessidades do doente.
Glaucoma de Ângulo-Fechado
Os ISRS, incluindo o Citalopram podem ter efeito sobre o tamanho da pupila, resultando em midríase. Este efeito midriático tem o potencial para estreitar o ângulo ocular resultando em pressão intra-ocular e glaucoma de ângulo fechado, especialmente em doentes com predisposição.
O Citalopram deve, assim, ser usado com precaução em doentes com glaucoma de ângulo fechado ou antecedentes de glaucoma.
Tenha em atenção que os seguintes pontos poderão também aplicar-se a medicamentos utilizados há algum tempo ou daqui a algum tempo no futuro.
Não tome Citalopram se está a tomar medicamentos para problemas do ritmo cardíaco ou quaisquer outros que possam afetar o ritmo cardíaco, como antiarrítmicos das classes IA e III, antipsicóticos (p.ex.derivados das fenotiazinas, pimozida, haloperidol), antidepressivos tricíclicos, alguns agentes antimicrobianos (p.ex. esparfloxacina, moxifloxacina, eritromicina IV, pentamidina, antimaláricos com especial atenção para a halofantrina), alguns anti-histamínicos (astemizol, mizolastina)..
Alguns medicamentos podem provocar problemas se os tomar com Citalopram.
Esses medicamentos incluem:
Antidepressivos do tipo designado inibidores da monoaminoxidase (IMAO), tais como seleginina, fenelzina, iproniazida, isocarboxazida, nialamida, tranilcipromina e moclobemida.
Estes medicamentos não devem ser tomados ao mesmo tempo que Citalopram.
Medicamentos contendo linezolida (usado para tratar infeções).
Não tome Citalopram se estiver a tomar linezolida.
Medicamentos para a depressão, p.ex., fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina, venlafaxina, bupropiona, antidepressivos tricíclicos, como nortriptilina, desipramina, clomipramina, imipramina, desipramina e o medicamento à base de plantas de hipericão (Hypericum perforatum)
Sumatriptano e outros triptanos (para a enxaqueca)
Buspirona (usado para tratar a ansiedade e a depressão)
Medicamentos contendo tramadol (para as dores).
Medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINE) (para as dores e inflamação) p.ex., ibuprofeno, cetoprofeno e diclofenac.
Anticoagulantes (para evitar a coagulação do sangue) como por exemplo varfarina, ácido acetilsalicílico, dipiridamol, ticlopidina.
Neurolépticos (utilizados para tratar algumas doenças mentais), por exemplo tioxantenos e butirofenonas
Propafenona, flecainida (para ritmo cardíaco irregular)
Metoprolol (para a insuficiência cardíaca)
Medicamentos para as úlceras do estômago, omeprazol, lansoprazol, cimetidina, esomeprazol
Medicamentos para doenças mentais (antipsicóticos), p.ex., lítio, risperidona, cloropromazina, tioridazina, clorprotixeno, haloperidol
Mefloquina (para a malária)
Oxitriptano ou triptofano (usado para problemas de sono e depressão)
Medicamentos que prolongam o “intervalo QT” ou medicamentos que diminuem os níveis de potássio ou magnésio no sangue.