Fosfato de fludarabina é um nucleótido fluoretado, solúvel em água, análogo do agente antiviral vidarabina, 9-ß-D-arabinofuranosiladenina (ara-A), que é relativamente resistente à desaminação pela adenosina desaminase.
O fosfato de fludarabina é rapidamente desfosforilado para 2F-ara-A, o qual é incorporado pelas células e seguidamente fosforilado intracelularmente pela desoxicitidina-quinase, dando origem ao metabólito ativo trifosfatado, 2F-ara-ATP.
Este metabólito mostrou inibir a reductase ribonucleotídica, a polimerase do ADN α/δ e ε, a primase do ADN e a ligase do ADN, inibindo assim a síntese do ADN.
Além disso, ocorre uma inibição parcial da polimerase II do ARN e, consequentemente, a redução da síntese proteica.
Embora alguns aspetos do mecanismo de ação do 2F-ara-ATP ainda estejam por clarificar, assume-se que os efeitos sobre o ADN, o ARN e a síntese proteica contribuem para a inibição do crescimento celular, sendo a inibição da síntese do ADN o fator dominante.
Adicionalmente, os estudos in vitro mostraram que a exposição de linfócitos LLC ao 2F-ara-A provoca uma extensa fragmentação do ADN e a morte celular característica da apoptose.
Um ensaio de fase III em doentes com leucemia linfocítica crónica das células B sem tratamento prévio, que comparou o tratamento com fosfato de fludarabina vs.
clorambucil (40 mg/m2 cada 4 semanas) em, respetivamente, 195 e 199 doentes, teve os seguintes resultados: taxas de resposta global e taxas de resposta completa mais elevadas e estatisticamente significativas, após tratamento de primeira linha com fosfato de fludarabina comparativamente com clorambucil (61,1% vs. 37,6% e 14,9% vs. 3,4%, respetivamente); duração de resposta e tempo para progressão da doença mais longos (19 vs. 12,2 meses e 17 vs. 13,2 meses, respetivamente) para os doentes do grupo fosfato de fludarabina, diferença essa estatisticamente significativa.
A sobrevivência mediana nos dois grupos de doentes foi de 56,1 meses para o fosfato de fludarabina e 55,1 meses para o clorambucil, tendo sido observada uma diferença igualmente não significativa relativamente ao desempenho dos doentes.
A percentagem de doentes que apresentaram toxicidade foi comparável entre os doentes do grupo fosfato de fludarabina (89,7%) e os doentes do grupo clorambucil (89,9%).
Embora a diferença entre os dois grupos de tratamento na incidência total de toxicidade hematológica não tenha sido significativa, verificou-se uma percentagem significativamente maior de doentes do grupo fosfato de fludarabina com toxicidade dos glóbulos brancos (p=0,0054) e dos linfócitos (p=0,0240), quando comparado com o grupo clorambucil.
A percentagem de doentes que sentiram náuseas, vómitos e diarreia foi significativamente mais baixa nos doentes tratados com fosfato de fludarabina (p<0,0001, p<0,0001 e p=0,0489, respetivamente) do que nos doentes tratados com clorambucil.
A toxicidade hepática foi também significativamente mais baixa (p=0,0487) nos doentes do grupo fosfato de fludarabina do que nos doentes do grupo clorambucil.
Os doentes que inicialmente respondem ao tratamento com fosfato de fludarabina têm hipótese de responder novamente ao fosfato de fludarabina em monoterapia.
Um ensaio randomizado com fosfato de fludarabina vs. ciclofosfamida, adriamicina e prednisona (CAP) realizado em 208 doentes com LLC estádio Binet B ou C revelou os seguintes resultados no subgrupo de 103 doentes previamente tratados: a taxa de resposta global e a taxa de resposta completa foram superiores com fosfato de fludarabina em comparação com CAP (45% vs. 26% e 13% vs. 6%, respetivamente); a duração de resposta e sobrevivência global foram semelhantes com fosfato de fludarabina e CAP.
Durante o período de tratamento estipulado de 6 meses, o número de mortes foi de 9 (fosfato de fludarabina) vs. 4 (CAP).
Análises post-hoc, utilizando apenas dados de até 6 meses após o início do tratamento, revelaram uma diferença entre as curvas de sobrevivência do fosfato de fludarabina e CAP a favor de CAP no subgrupo dos doentes no estádio Binet C pré-tratados.
⚠️ Avisos
Neurotoxicidade:
Quando utilizado em doses mais altas nos estudos de seleção de dose em pacientes com
leucemia aguda
, Fludara foi associado com efeitos neurológicos graves, incluindo cegueira (
perda da visão
), coma e óbito. Os sintomas apareceram 21 a 60 dias após a última dose. Esta toxicidade grave para o sistema nervoso central ocorreu em 36% dos pacientes que receberam doses por via intravenosa (veia), aproximadamente 4 vezes maiores (96mg/m
2
/dia por 5 a 7 dias) que a dose recomendada. Nos pacientes tratados com as doses recomendadas para LLC, efeitos tóxicos graves para o sistema nervoso central ocorreram raramente (coma, convulsões e agitação) ou com pouca frequência (confusão).
A experiência pós-comercialização tem mostrado que pode ocorrer neurotoxicidade mais precocemente ou mais tardiamente do que ocorre nos estudos clínicos. O efeito da administração de forma crônica (contínua) de Fludara sobre o sistema nervoso central é desconhecido. Entretanto, os pacientes mostraram tolerância à dose recomendada em alguns estudos por períodos de tratamento relativamente prolongados (até 26 ciclos de terapia).
Seu médico deverá acompanhá-lo quanto a sinais de efeitos neurológicos.
Administração de Fludara pode estar associada com alterações neurológicas (Sistema Nervoso Central) denominadas: leucoencefalopatia (grupo de doenças do Sistema nervoso central caracterizadas por comprometimento da mielina ( substância presente em algumas células nervosas que facilita a rápida comunicação entre as mesmas) (LEMP), leucoencefalopatia tóxica aguda ou síndrome da leucoencefalopatia posterior reversível).
Estas podem ocorrer na dose recomendada:
QuandoFludara é administrado em seguida, ou em combinação com medicamentos conhecidos por estar associados a LE, LETA ou LEPR,
Ou quandoFludara é administrado em pacientes com outros fatores de risco, tais como irradiação corporal total ou craniana (tratamento com radioterapia no corpo ou crânio), transplante de Células Hematopoiéticas (transplante de células- tronco), Doença do enxerto contra hospedeiro (síndrome sistêmica que ocorre em pacientes que recebem linfócitos funcionantes de um doador),
insuficiência renal
(diminuição da capacidade dos rins para eliminar substâncias tóxicas do sangue) ou
encefalopatia hepática
(complicação de doenças do fígado onde há deterioração da função do cérebro devido ao aumento de substâncias tóxicas no sangue que o fígado deveria ter eliminado em situações normais) em doses mais elevadas do que a dose recomendada.
Os sintomas de LEMP, leucoencefalopatia tóxica aguda ou síndrome da leucoencefalopatia posterior reversível podem incluir dores de cabeça, náuseas e vômitos, convulsões, distúrbios visuais tais como perda de visão, sensório alterado e
deficiências neurológicas
focais. Efeitos adicionais podem incluir
neurite
óptica e papilite (inflamações oculares), confusão, sonolência, agitação, paraparesia (perda de força das pernas)/quadriparesia (perda de força dos braços e pernas) ,
espasticidade muscular
(aumento do tônus e dos reflexos musculares) e incontinência (dificuldade em controlar a urina).
LEMP, leucoencefalopatia tóxica aguda ou síndrome da leucoencefalopatia posterior reversível podem serirreversíveis, com risco de vida, ou fatais. Sempre que houver suspeita, o tratamento com Fludarabina deve ser interrompido. Os pacientes devem ser acompanhados e devem ser submetidos a exames de imagem do cérebro, preferencialmente utilizando Imagem por
Ressonância Magnética
. Se o
diagnóstico
for confirmado, a terapia com Fludarabina deve ser interrompida de forma permanente.
Condições gerais de saúde alterada:
Em pacientes com alteração do estado de saúde,Fludara deve ser administrado com cautela e após criteriosa avaliação da relação risco/benefício. Isto se aplica especialmente no caso de pacientes com grave alteração da função da medula óssea [trombocitopenia anemia e/ou granulocitopenia (diminuição dos glóbulos brancos)], imunodeficiência (deficiência do sistema imunológico para combater infecções) ou com antecedentes de
infecção
oportunista (doenças que se aproveitam da fraqueza do sistema imunológico). Tratamento profilático (prevenção) deve ser considerado em pacientes com risco aumentado de desenvolvimento de infecção oportunista.
Mielossupressão: (grupo de complicações metabólicas que podem ocorrer após o tratamento de um câncer por destruição das células tumorais)
Supressão grave de medula óssea, especialmente anemia, trombocitopenia (redução do número de plaquetas) e neutropenia (redução do número de glóbulos brancos), tem sido relatada em pacientes tratados com Fludara.
Em um estudo Fase I em pacientes adultos com tumor sólido, a mediana do tempo para contagem mais baixa foi de 13 dias (3 a 25 dias) para granulócitos e de 16 dias (2 a 32 dias) para plaquetas. A maioria dos pacientes apresentava alteração dos valores hematológicos iniciais como resultado da doença ou como resultado de terapia mielossupressora prévia. Pode haver mielossupressão cumulativa. Embora a mielossupressão induzida por
quimioterapia
seja geralmente reversível, a administração de fosfato de Fludarabina requer cuidadoso controle hematológico (referente ao sangue).
Foram relatados, em pacientes adultos, diversos exemplos de hipoplasia (diminuição da produção de células dosangue pela medula óssea) ou de aplasia (doença caracterizada por deficiência da produção de células do sangue pela medula óssea) das três linhagens de medula óssea tendo como resultado a pancitopenia (diminuição global de elementos celulares do sangue (glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas), às vezes resultando em óbito. A duração da citopenia clinicamente significativa nos casos relatados foi de aproximadamente 2 meses a 1 ano.
Estes episódios ocorreram em pacientes previamente tratados e em pacientes não tratados.
Progressão da doença
A progressão e transformação da doença [por exemplo, síndrome de Richter (transformação da leucemia linfóide crônica para linfoma não- Hodgkin (linfoma difuso de células B)] tem sido relatada frequentemente em pacientes portadores de LLC.
Reação enxerto contra hospedeiro associada à transfusão
A reação enxerto contra hospedeiro associada à transfusão (reação dos linfócitos funcionantes transfundidos ao hospedeiro) foi observada após transfusão de sangue não-irradiado em pacientes tratados com Fludara. Graves complicações e até mesmo morte têm ocorrido devido à essa reação. Portanto, para diminuir o risco de reação enxerto contra hospedeiro associada à transfusão, pacientes que precisem de transfusão de sangue e estejam sendo ou tenham sido tratados com Fludara devem receber apenas produtos sanguíneos irradiados. Se você precisar de uma transfusão de sangue e estiver sendo (ou tiver sido) tratado (a) com Fludara, avise seu médico.
Câncer de pele
Piora ou exacerbação de
lesões
preexistentes de câncer de pele, assim como início de câncer de pele, foram relatados em pacientes durante ou após a terapia com Fludara.
Síndrome da lise tumoral (grupo de complicações decorrentes de alterações metabólicas secundária a tratamento do câncer)
Foi relatada síndrome da lise tumoral em pacientes com grandes volumes tumorais. Uma vez que Fludara pode induzir uma resposta já na primeira semana de tratamento, devem ser adotadas precauções nos pacientes que apresentem risco de desenvolvimento desta complicação.
Fenômeno autoimune
Durante ou após tratamento com Fludara foi relatada a ocorrência de fenômenos autoimunes com risco para a vida do paciente, sendo fatal em certos casos. A maioria dos pacientes que apresentaram anemia hemolítica (anemia por destruição de glóbulos vermelhos) desenvolveu recorrência do quadro hemolítico quando expostos novamente ao tratamento com Fludara.
Os pacientes em tratamento com Fludara devem ser mantidos sob cuidadosa vigilância com relação a sinais de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos, o que pode levar à anemia). Recomenda-se a interrupção do tratamento com Fludara em caso de hemólise.
Efeito na capacidade de dirigir ou operar máquinas
Fludara pode reduzir a capacidade de dirigir ou operar máquinas, uma vez que foram observados, por exemplo,
fadiga
(cansaço), fraqueza, distúrbios (alterações) visuais, confusão, agitação e convulsões (
contrações súbitas
e involuntárias dos músculos secundárias a descargas elétricas cerebrais).
Contracepção
Homens e mulheres que são férteis devem usar métodos de contracepção eficazes durante o tratamento e por, pelo menos, 6 meses após seu término.
Vacinação
Durante e após tratamento com Fludara, deve-se evitar o emprego de vacina com organismos vivos.
Opções de retratamento após tratamento inicial com Fludara
Pacientes que inicialmente respondem ao tratamento com Fludara têm uma boa chance de apresentarnovamente resposta à terapia com Fludara usado isoladamente. Uma troca de tratamento inicial de Fludara para
clorambucila
para os pacientes que não responderam ao tratamento com Fludara deve ser evitada porque muitos pacientes que foram resistentes ao tratamento com fosfato de Fludarabina têm apresentado resistência à clorambucila.
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Verificado por editor médico
Dr. Ozarchuk, PharmD · April 2026
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