A Ticlopidina é um inibidor da agregação plaquetária que provoca uma acção dose dependente sobre a agregação plaquetária, com libertação de factores plaquetários, bem como o prolongamento do tempo de hemorragia.
O fármaco não possui actividade in vitro significativa, apenas in vivo, no entanto não existem quaisquer evidências que apontem para a existência de um metabólito activo em circulação.
A Ticlopidina interfere com a agregação plaquetária pela inibição, ADP-dependente, da ligação do fibrinogénio à membrana da plaqueta: não actua por inibição da cicloxigenase, como o faz o ácido acetilsalicílico.
O AMP cíclico plaquetário não parece desempenhar qualquer papel no seu mecanismo de acção.
O tempo de hemorragia, medido pelo método de Ivy, com um garrote a uma pressão de 40 mmHg, prolonga-se duas vezes mais comparativamente aos valores iniciais.
O prolongamento do tempo de hemorragia sem garrote é menos pronunciado.
Após a descontinuação do tratamento, o tempo de hemorragia bem como os outros testes da função plaquetária voltam a valores normais, no espaço de uma semana, para a maioria dos doentes.
O efeito antiagregante plaquetário observa-se nos dois dias que se seguem à administração de Ticlopidina a 250 mg, duas vezes ao dia.
O efeito antiagregante máximo é obtido 5 a 8 dias após a toma de 250 mg, duas vezes ao dia.
Na dose terapêutica, a Ticlopidina inibe entre 50 a 70% a agregação plaquetária induzida por ADP (2,5 μmol/l).
Doses inferiores estão associadas a uma inibição menor da agregação plaquetária.
O efeito da Ticlopidina sobre o risco de acidentes cardiovasculares foi avaliado através de vários ensaios clínicos duplamente cegos.
Num ensaio comparativo entre a Ticlopidina e o ácido acetilsalicílico (the Ticlopidine Aspirin Stroke Study ou TASS), 3069 doentes que apresentavam antecedentes de acidente isquémico
cerebral transitório ou um AVC menor foram incluídos e seguidos, pelo menos durante 2 a 5 anos.
Durante a duração do estudo a Ticlopidina reduziu significativamente o risco de ocorrência de AVC (fatal ou não) em 27% (p=0,011) quando comparado com o ácido acetilsalicílico.
Durante o primeiro ano, quando o risco de AVC é mais elevado, a redução do risco de AVC (fatal e não fatal) comparativamente ao ácido acetilsalicílico foi de 48%.
A redução foi semelhante nos homens e nas mulheres.
Num ensaio comparativo entre a Ticlopidina e o placebo (the Canadian American Ticlopidine Study ou CATS), 1073 doentes com antecedentes de acidente vascular cerebral aterotrombótico foram tratados por um período de 3 anos.
A Ticlopidina reduziu significativamente o risco de global de AVC em 34% (p=0,017) comparativamente ao placebo.
No decorrer do primeiro ano, o risco de ocorrência de AVC (fatal e não fatal) em comparação com o placebo foi de 33%.
Num estudo comparativo entre a Ticlopidina e o placebo ( the Swedish Ticlopidine Multicenter Study ou STIMS) foram incluídos 687 doentes com claudicação intermitente.
A duração média de observação dos doentes, desde a sua inclusão até à avaliação final, foi de 5,6 anos.
A Ticlopidina reduziu significativamente em 29% (p=0,015) a mortalidade global.
A incidência de efeitos cardio e cerebrovasculares (mortais e não mortais) foi diminuída em 41% (p=0;007).
⚠️ Avisos
Gravidez
Gravidez:
Excepto em casos de indicação formal, a Ticlopidina não deve ser prescrita durante a gravidez.
Aleitamento
Aleitamento:
Excepto em casos de indicação formal, a Ticlopidina não deve ser prescrita durante o aleitamento.
Insuf. Renal
Insuf. Renal:
Pode ser necessária redução da dose; suspender terapêutica se surgirem complicações hemorrágicas.
Monitorização hematológica
É necessário determinar os parâmetros hematológicos (incluindo plaquetas) antes do início do tratamento, de duas em duas semanas durante os três primeiros meses de tratamento com Ticlopidina, e durante os 15 dias seguintes à interrupção do mesmo, se esta ocorrer nos três primeiros meses.
Se se verificar a ocorrência de neutropénia (<1500 neutrófilos / mm3), trombocitopénia (<100.000 plaquetas / mm3) ou diminuição do hematócrito, o tratamento deve ser interrompido, devendo determinar-se o hemograma completo, incluindo plaquetas e elementos figurados no sangue (esquistócitos) e creatinina sérica, mantendo-se a monitorização até ao restabelecimento dos valores normais.
Monitorização clínica
Todos os doentes devem ser alvo de uma monitorização cuidadosa, a fim de despistar quaisquer eventuais sinais e sintomas clínicos relacionados com reacções adversas, particularmente durante os primeiros três meses de tratamento.
Os sinais e sintomas que possam estar relacionados com neutropénia (febre, amigdalites, ou ulcerações da cavidade oral), com a trombocitopénia e/ou alterações na hemostase (hemorragias não habituais ou prolongadas, hematomas, púrpura e melenas), ou com icterícia (incluindo urina escura e descoloração das fezes), devem ser explicados ao doente.
Todos os doentes devem ser alertados para descontinuar a medicação e consultar de imediato o médico assistente, logo que se manifeste algum dos sintomas acima descritos.
A decisão de retomar o tratamento deve ser efectuada de acordo com os resultados clínicos e laboratoriais.
O diagnóstico clínico de Púrpura Trombocitopénica Trombótica (PTT) é caracterizado pela presença de trombocitopénia, anemia hemolítica, sintomas neurológicos, disfunção renal e febre.
O início pode ocorrer subitamente.
A maioria dos casos foram reportados nas oito primeiras semanas após o início da terapêutica.
Devido ao risco de desfecho fatal, em caso de suspeita de púrpura trombocitopénica trombótica, recomenda-se contactar uma equipa médica especializada.
Foi referido que o tratamento com plasmaferese melhora o prognóstico.
Hemostase
A Ticlopidina deve ser utilizada com prudência nos doentes susceptíveis a hemorragias.
O fármaco não deve ser administrado em associação com as heparinas, os anticoagulantes orais e os antiagregantes plaquetários, contudo, em casos excepcionais de administração concomitante, deve ser assegurada uma monitorização clínica e laboratorial cuidadosa.
Em doentes sujeitos a cirurgia electiva, o tratamento deve ser, sempre que possível, suspenso pelo menos 10 dias antes da cirurgia.
Numa situação de emergência cirúrgica, numa tentativa de minimizar o risco hemorrágico, bem como o prolongamento do tempo de hemorragia, podem ser utilizados três meios, isolados ou conjuntamente:
− administração de 0,5 a 1 mg/Kg de metilprednisolona I.V., renováveis.
− desmopressina 0,2 a 0,4 μg/Kg.
− transfusão de plaquetas.
Sendo a Ticlopidina extensivamente metabolizada pelo fígado, o fármaco deve ser empregue com precaução no insuficiente hepático, devendo o tratamento ser descontinuado se se desenvolver um quadro de hepatite ou de icterícia.
Em caso de hepatite ou icterícia, deverá ser iniciada uma investigação para o esclarecimento da situação.
Nestes casos, a re-exposição à ticlopidina deve ser evitada.
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Verificado por editor médico
Dr. Ozarchuk, PharmD · April 2026
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