A metformina é um biguanida com efeitos anti-hiperglicémicos que permite reduzir a glicose plasmática basal e pós-prandial.
Não estimula a secreção de insulina e, por isso, não produz hipoglicémia.
A metformina pode actuar através de 3 mecanismos:
Redução da produção de glicose hepática por inibição da glicogénese e da glicogenólise;
No músculo, aumentando a sensibilidade à insulina, melhorando a captação e utilização de glicose periférica;
Retardando a absorção de glicose a nível intestinal.
A metformina estimula a síntese de glicogénio intracelular, actuando ao nível da glicogénio-sintetase.
A metformina aumenta a capacidade de transporte de todos os tipos de transportadores de glicose na membrana (GLUT) conhecidos até à data.
No ser humano, independentemente da sua acção sobre a glicémia, a metformina exerce efeitos favoráveis sobre o metabolismo lipídico.
Tal efeito foi demonstrado para doses terapêuticas em estudos clínicos controlados, a médio e a longo prazo: a metformina reduz o colesterol total, o colesterol LDL e os níveis de triglicéridos.
⚠️ Avisos
Gravidez
Gravidez:
Durante a gravidez, recomenda-se que a diabetes não seja tratada com metformina.
Aleitamento
Aleitamento:
Não é recomendada a amamentação durante o tratamento com a metformina.
Insuf. Hepática
Insuf. Hepática:
Evitar; risco de acidose láctica.
Insuf. Renal
Insuf. Renal:
Evitar; maior risco de acidose láctica.
Condução
Condução:
Risco de hipoglicemia.
Acidose láctica
A acidose láctica é uma complicação metabólica rara, mas de carácter grave (elevada mortalidade caso não se proceda a um tratamento imediato), que pode ocorrer devido à acumulação de metformina.
Foram descritos casos de acidose láctica em doentes submetidos a tratamento com metformina, designadamente em doentes diabéticos com insuficiência renal significativa.
A incidência de acidose láctica pode, e deve, ser reduzida, determinando-se igualmente outros factores de risco associados, tais como a diabetes mal controlada, cetose, jejum prolongado, consumo excessivo de álcool, insuficiência hepática e qualquer condição associada a hipoxia.
Diagnóstico
O risco de acidose láctica deve ser considerado no caso de sinais não específicos como cãibras musculares com perturbações digestivas tal como dor abdominal e astenia grave.
A acidose láctica é caracterizada por dispneia acidótica, dor abdominal e hipotermia, seguida de coma.
Os resultados das análises laboratoriais revelam uma descida no pH sanguíneo, níveis de lactato no plasma acima de 5 mmol/l, um aumento do défice aniónico e da relação lactato/piruvato.
Caso se suspeite de acidose metabólica, a administração de metformina deverá ser suspensa e o doente imediatamente hospitalizado.
Função renal
Dado que a metformina é excretada pelo rim, deverão ser determinados os níveis de depuração de creatinina (podem ser calculados a partir dos níveis de creatinina sérica utilizando a fórmula de Cockcroft-Gault) antes de se dar início ao tratamento e procedendo-se regularmente à sua determinação: pelo menos anualmente, em doentes com função renal normal, pelo menos duas a quatro vezes ao ano, em doentes com níveis de creatinina sérica no limite superior da normalidade e em doentes idosos.
Uma diminuição da função renal nos idosos é frequente e assintomática.
Dever-se-á ter especial cuidado em situações nas quais a função renal possa ser afectada, tais como, por exemplo, ao iniciar uma terapêutica com anti-hipertensores ou diuréticos e no início de uma terapêutica com um anti-inflamatório não esteróide (AINE).
Administração de um meio de contraste iodado
Uma vez que a administração intravascular de meios de contraste iodados em exames radiológicos pode conduzir a insuficiência renal, a metformina deverá ser interrompida antes ou na altura do exame, só podendo ser re-iniciada após 48 horas da realização do mesmo e depois de a nova avaliação da função renal se revelar normal.
Cirurgia
A metformina deverá ser interrompido 48 horas antes de uma cirurgia electiva com anestesia geral, epidural ou peridural.
A terapêutica não deverá ser retomada antes de 48 horas após a intervenção ou do reinício da alimentação oral e somente se a função renal normal tiver sido estabelecida.
Crianças e adolescentes
O diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 deverá ser confirmado antes de iniciar o tratamento com metformina.
Não houve efeito da metformina sobre o crescimento e puberdade detectado durante os estudos clínicos controlados com duração de um ano, mas não estão disponíveis dados a longo prazo sobre esses pontos específicos.
Portanto, é recomendado um acompanhamento cuidadoso do efeito de metformina sobre estes parâmetros em crianças tratadas com metformina, especialmente as crianças pré-púberes.
Crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos
Apenas 15 indivíduos com idades entre 10 e 12 anos foram incluídos nos estudos clínicos controlados realizados em crianças e adolescentes.
Embora a eficácia e segurança de metformina para essas crianças não seja diferente de eficácia e segurança em crianças mais velhas e adolescentes, é recomendado um especial cuidado quando se prescreve a crianças com idades entre 10 e 12 anos.
Outras precauções:
Todos os doentes deverão prosseguir a sua dieta com uma distribuição regular do consumo de hidratos de carbono ao longo do dia.
Os doentes com excesso de peso deverão continuar a sua dieta com restrição calórica.
As análises laboratoriais habituais para controlo da diabetes deverão ser realizadas regularmente.
A metformina utilizada isoladamente, nunca causa hipoglicémia, mas recomenda-se precaução ao utilizá-la em associação com insulina ou outros antidiabéticos orais (ex: sulfonilureias ou meglitinidas).