## Visão Geral
A dor torácica (ICD-10: R07) é qualquer desconforto ou sensação anormal percebida entre o pescoço e a parte superior do abdômen. É uma das razões mais comuns pelas quais adultos procuram serviços de emergência em todo o mundo, representando aproximadamente 5–8 milhões de atendimentos de emergência por ano apenas nos Estados Unidos [1]. O sintoma varia de uma pontada aguda e momentânea a uma pressão surda e persistente, podendo originar-se do coração, pulmões, esôfago, estruturas musculoesqueléticas ou nervos da parede torácica.
A dor torácica é um dos termos de saúde mais pesquisados na internet porque provoca ansiedade imediata: as pessoas compreensivelmente temem um infarto. No entanto, estudos em ambientes de atenção primária mostram que **causas musculoesqueléticas e gastrointestinais representam mais da metade de todas as apresentações de dor torácica**, enquanto etiologias cardíacas correspondem a aproximadamente 8–18 % dos casos avaliados em clínicas ambulatoriais [2, 5]. Distinguir causas benignas de potencialmente fatais é fundamental, e nenhum recurso da internet substitui uma avaliação médica presencial.
> **Aviso:** Este artigo é apenas para fins educacionais. Se você está apresentando dor torácica neste momento — especialmente com falta de ar, sudorese ou irradiação para o braço ou mandíbula — **ligue imediatamente para os serviços de emergência (192 / SAMU / 911)**.
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## Causas Comuns
As causas da dor torácica podem ser amplamente agrupadas pelo sistema orgânico envolvido. Abaixo estão classificadas aproximadamente por frequência de apresentação em ambientes ambulatoriais e de emergência [2, 5].
### 1. Musculoesquelética (30–50 % das dores torácicas ambulatoriais)
- **Costocondrite / distensão da parede torácica:** Inflamação das junções costoesternais ou costocondrais causa sensibilidade localizada e reprodutível. É o diagnóstico isolado mais comum nas avaliações de dor torácica na atenção primária.
- **Distensão muscular:** Uso excessivo dos músculos peitorais ou intercostais (p. ex., levantamento de peso, novo programa de exercícios) produz dor relacionada à atividade.
- **Fratura ou contusão de costela:** Trauma ou tosse intensa podem fraturar costelas, causando dor aguda dependente de movimento.
### 2. Gastrointestinal (10–20 %)
- **Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE):** O refluxo ácido irrita a mucosa esofágica, produzindo uma sensação de queimação retroesternal ("azia") que pode mimetizar de perto a angina.
- **Espasmo esofágico:** Contração descoordenada da musculatura lisa esofágica causa dor subesternal episódica, em aperto.
- **Doença ulcerosa péptica:** A dor epigástrica pode ser percebida como desconforto na região inferior do tórax.
### 3. Cardíaca (8–18 % em ambulatório; maior em populações de emergência)
- **Angina pectoris estável:** O estreitamento aterosclerótico das artérias coronárias reduz o suprimento de oxigênio ao miocárdio durante o esforço, produzindo dor previsível em pressão aliviada pelo repouso ou nitroglicerina.
- **Síndrome coronariana aguda (SCA):** A ruptura de placa e a formação de trombo ocluem parcial ou completamente uma artéria coronária. A SCA abrange angina instável, infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST) e infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) [1, 4].
- **Pericardite:** Inflamação do saco pericárdico produz dor aguda que piora em decúbito dorsal e melhora com a inclinação anterior do tronco.
- **Miocardite:** Inflamação viral ou autoimune do miocárdio pode causar dor torácica com sintomas associados de insuficiência cardíaca.
### 4. Pulmonar (5–10 %)
- **Embolia pulmonar (EP):** Um coágulo sanguíneo alojado na vasculatura pulmonar causa dor torácica pleurítica, dispneia e taquicardia.
- **Pneumotórax:** Ar no espaço pleural colapsa o pulmão, produzindo dor unilateral súbita e aguda.
- **Pneumonia / pleurite:** Infecção ou inflamação do tecido pulmonar ou da pleura produz dor que piora com a respiração ou tosse.
### 5. Psicológica / Funcional (10–30 %)
- **Transtorno do pânico / ansiedade:** A ativação simpática durante ataques de pânico pode causar aperto no peito, palpitações e hiperventilação que mimetizam de perto sintomas cardíacos.
- **Transtorno de sintomas somáticos:** Dor torácica crônica sem explicação médica pode estar relacionada a sensibilidade visceral aumentada.
### 6. Outras
- **Herpes-zóster:** Reativação do vírus varicela-zóster em um dermátomo torácico causa dor unilateral em queimação que pode preceder a erupção cutânea em dias.
- **Dissecção aórtica:** Uma laceração na íntima aórtica produz dor súbita, "em rasgamento", irradiando para as costas — uma emergência cirúrgica.
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## SINAIS DE ALERTA
Procure **atendimento de emergência imediato (ligue 192 / SAMU / 911)** se a dor torácica for acompanhada de qualquer um dos seguintes:
- **Pressão esmagadora, em aperto ou peso** no centro do tórax com duração superior a alguns minutos
- **Irradiação** da dor para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço, ombro ou costas
- **Falta de ar** em repouso ou com esforço mínimo
- **Diaforese** (suor frio) não relacionada à temperatura ambiente ou exercício
- **Síncope ou pré-síncope** (desmaio ou tontura)
- **Palpitações de início recente** ou sensação de batimento cardíaco acelerado e irregular
- **Dor súbita e intensa "em rasgamento" ou "dilaceração"** irradiando para as costas (sugere dissecção aórtica)
- **Edema unilateral de membro inferior** combinado com dor torácica pleurítica (sugere embolia pulmonar)
- **Hemoptise** (tosse com sangue)
- **Cianose** (coloração azulada dos lábios ou pontas dos dedos)
- **Histórico conhecido de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca ou procedimento cardíaco recente** com novos sintomas torácicos
- **Dor não aliviada por três doses de nitroglicerina** (em pacientes com prescrição de NTG sublingual)
> **Importante:** Mulheres, pessoas com diabetes e idosos podem apresentar **sintomas atípicos** como fadiga isolada, náusea, dor nas costas ou desconforto epigástrico em vez da clássica pressão torácica [3]. Um baixo limiar para procurar atendimento é essencial nessas populações.
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## Cuidados Domiciliares
As seguintes medidas não farmacológicas podem ajudar **apenas após uma causa grave ter sido excluída** por um profissional de saúde.
### Para dor torácica musculoesquelética
- **Repouso e modificação da atividade:** Evite movimentos que reproduzam a dor (p. ex., levantamento de peso, flexões) por 1–2 semanas.
- **Calor ou gelo local:** Aplique uma compressa quente ou bolsa de gelo na área dolorida por 15–20 minutos várias vezes ao dia. O gelo é geralmente preferido nas primeiras 48 horas; o calor pode ser mais reconfortante depois disso.
- **Alongamento suave:** Alongamentos peitorais na porta e exercícios de extensão torácica podem aliviar a tensão costocondral após a fase aguda.
- **Correção postural:** Postura encurvada para frente por tempo prolongado (trabalho em mesa) pode agravar a dor da parede torácica. Ajustes ergonômicos podem ajudar.
### Para dor torácica relacionada à DRGE
- **Eleve a cabeceira da cama** em 15–20 cm (6–8 polegadas) usando blocos ou um travesseiro de cunha.
- **Evite alimentos desencadeantes:** Desencadeantes comuns incluem alimentos condimentados, cítricos, molhos à base de tomate, chocolate, cafeína e álcool.
- **Não se alimente dentro de 2–3 horas antes de deitar.**
- **Mantenha um peso saudável:** A obesidade aumenta a pressão intra-abdominal e piora o refluxo.
- **Use roupas folgadas** ao redor do abdômen.
### Para aperto no peito relacionado à ansiedade
- **Respiração diafragmática (abdominal):** Inspire lentamente pelo nariz por 4 segundos, segure por 4 segundos, expire pela boca por 6 segundos. Repita por 5 minutos.
- **Relaxamento muscular progressivo** e redução de estresse baseada em atenção plena (mindfulness) têm demonstrado reduzir sintomas torácicos relacionados ao pânico.
- **Exercício aeróbico regular** (150 minutos por semana de atividade moderada) está associado à redução da gravidade da ansiedade.
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## Medicamentos de Venda Livre Que Podem Ajudar
As opções de venda livre são apropriadas **apenas para dor torácica não cardíaca, avaliada por um profissional**. Nunca se automedique para dor torácica que você suspeita ser de origem cardíaca.
| Classe | Exemplo | Dose Habitual para Adultos | Mecanismo | Principais Contraindicações / Observações |
|---|---|---|---|---|
| **AINEs** | Ibuprofen (Advil, Motrin) | 200–400 mg a cada 4–6 h (máx. 1200 mg/dia sem prescrição) | Inibe COX-1/2, reduzindo inflamação e dor mediadas por prostaglandinas | Evitar em DAC conhecida, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, sangramento GI ativo, terceiro trimestre de gravidez. Usar a menor dose eficaz pelo menor tempo possível. |
| **AINEs** | Naproxen (Aleve) | 220 mg a cada 8–12 h (máx. 660 mg/dia sem prescrição) | Mesmo mecanismo acima; meia-vida mais longa permite dosagem menos frequente | Mesmo que ibuprofen; pode apresentar risco cardiovascular ligeiramente menor entre os AINEs (declaração da AHA) |
| **Paracetamol** | Paracetamol / Tylenol | 500–1000 mg a cada 4–6 h (máx. 3000 mg/dia para uso regular) | Analgésico central; mecanismo não completamente elucidado; não reduz inflamação periférica | Risco de hepatotoxicidade em doses supraterapêuticas; evitar com uso excessivo de álcool ou doença hepática |
| **Antiácidos** | Carbonato de cálcio (Tums), hidróxido de alumínio/magnésio (Maalox) | Conforme orientação da embalagem (p. ex., 1–2 comprimidos conforme necessário) | Neutralizam o ácido gástrico por contato | Curta duração de ação; produtos à base de cálcio podem causar constipação; à base de magnésio podem causar diarreia |
| **Antagonista do receptor H2** | Famotidine (Pepcid AC) | 10–20 mg uma ou duas vezes ao dia | Bloqueia receptores H2 de histamina nas células parietais, reduzindo a secreção ácida | Geralmente bem tolerado; reduzir dose na insuficiência renal |
| **Inibidor da bomba de prótons** | Omeprazole (Prilosec OTC) | 20 mg uma vez ao dia por até 14 dias | Inibe irreversivelmente a H+/K+ ATPase (bomba de prótons) nas células parietais | Não é para alívio imediato; leva 1–4 dias para efeito pleno. Ciclos sem prescrição não devem exceder 14 dias sem orientação médica |
| **Analgésicos tópicos** | Cremes de mentol/salicilato de metila (Bengay, Icy Hot) | Aplicar na área afetada da parede torácica 3–4 vezes ao dia | Efeito contra-irritante via ativação de TRPM8/TRPA1; vasodilatação local leve | Evitar em pele lesionada; não usar com almofadas térmicas (risco de queimadura); produtos com salicilato de metila apresentam risco de reatividade cruzada com alergia à aspirina |
> **Nota sobre aspirina:** Aspirina em baixa dose (162–325 mg, mastigada) é recomendada como **tratamento de primeiros socorros** durante suspeita de infarto conforme diretrizes da AHA [3], mas não é um remédio de venda livre para "autocuidado" de dor torácica recorrente. Não tome aspirina rotineiramente para dor torácica sem orientação médica.
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## Opções com Prescrição Médica
Os medicamentos prescritos são direcionados ao diagnóstico subjacente. A tabela a seguir resume as classes comuns utilizadas quando a dor torácica tem uma etiologia confirmada que requer farmacoterapia.
| Classe | Exemplos | Indicação | Prescritor | Observações Importantes |
|---|---|---|---|---|
| **Nitratos** | Nitroglicerina (comprimido sublingual, spray, adesivo), mononitrato de isossorbida | Angina pectoris (alívio agudo e profilaxia) | Cardiologista, internista, clínico geral | NTG sublingual age em 1–3 min. Contraindicada com inibidores da PDE-5 (sildenafil, tadalafil) — risco de hipotensão grave. |
| **Betabloqueadores** | Metoprolol, atenolol, bisoprolol | Angina estável, SCA, controle de frequência | Cardiologista, internista | Reduzem a frequência cardíaca e a demanda miocárdica de oxigênio. Evitar descontinuação abrupta. |
| **Bloqueadores dos canais de cálcio** | Amlodipina, diltiazem, verapamil | Angina vasoespástica, angina estável (quando betabloqueadores são contraindicados) | Cardiologista, internista | Di-hidropiridinas (amlodipina) preferidas se houver disfunção ventricular esquerda; não di-hidropiridinas reduzem a frequência cardíaca. |
| **Terapia antiplaquetária / anticoagulante** | Aspirina + clopidogrel/ticagrelor; heparina, enoxaparina | SCA, pós-ICP, EP | Cardiologista, hematologista, pneumologista | A duração da terapia antiplaquetária dupla (DAPT) varia (tipicamente 6–12 meses pós-SCA) [4]. |
| **Estatinas** | Atorvastatina, rosuvastatina | Doença arterial coronariana, SCA | Cardiologista, internista, clínico geral | Terapia com estatina de alta intensidade recomendada em todos os pacientes com SCA, independentemente do LDL basal [3]. |
| **Inibidores da ECA / BRAs** | Ramipril, lisinopril, valsartana | Pós-IAM com disfunção ventricular esquerda, hipertensão, insuficiência cardíaca | Cardiologista, internista | Cardioprotetores; reduzem remodelamento pós-infarto. |
| **Inibidores da bomba de prótons (dose prescrita)** | Esomeprazol 40 mg, pantoprazol 40 mg | DRGE grave, esofagite erosiva | Gastroenterologista, clínico geral | Podem ser necessários por 8–12 semanas; uso prolongado associado à depleção de magnésio e risco de fraturas. |
| **Colchicina** | Colchicina 0,5 mg | Pericardite aguda e recorrente | Cardiologista, internista | Os estudos COPE e CORP demonstraram que a colchicina reduz a recorrência de pericardite em ~50 % [7]. |
| **Ansiolíticos / ISRSs** | Sertralina, escitalopram; benzodiazepínicos de curto prazo | Transtorno do pânico, dor torácica relacionada à ansiedade | Psiquiatra, clínico geral | ISRSs são primeira linha para transtorno do pânico. Benzodiazepínicos apenas como terapia-ponte de curto prazo devido ao risco de dependência. |
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## Exames Laboratoriais Comumente Solicitados
A escolha das investigações depende da suspeita clínica. Abaixo estão os exames comumente solicitados na avaliação da dor torácica.
| Exame | Justificativa | Link |
|---|---|---|
| **Troponina cardíaca de alta sensibilidade (hs-cTnI ou hs-cTnT)** | Biomarcador padrão-ouro para lesão miocárdica. Medições seriadas (0 h e 1–3 h) podem confirmar ou excluir IAM com alta sensibilidade [6]. | [Teste de troponina](/tests/troponin) |
| **Eletrocardiograma (ECG)** | Identifica alterações do segmento ST, arritmias e anormalidades de condução. Deve ser realizado dentro de 10 minutos da chegada à emergência para dor torácica aguda [3]. | [ECG](/tests/ecg) |
| **Radiografia de tórax** | Avalia pneumotórax, pneumonia, derrame pleural, alargamento do mediastino (dissecção aórtica) e cardiomegalia. | [Radiografia de tórax](/tests/chest-xray) |
| **Hemograma completo** | Anemia pode exacerbar angina; leucocitose pode sugerir infecção ou inflamação. | [Hemograma](/tests/cbc) |
| **Painel metabólico básico (PMB)** | Desequilíbrios eletrolíticos (potássio, magnésio) podem provocar arritmias. A creatinina avalia a função renal antes de exames com contraste. | [PMB](/tests/bmp) |
| **D-dímero** | Elevado na embolia pulmonar, dissecção aórtica e outros estados trombóticos. Mais útil quando a probabilidade pré-teste é baixa a intermediária (escore de Wells). | [D-dímero](/tests/d-dimer) |
| **BNP / NT-proBNP** | Elevado na insuficiência cardíaca; auxilia na diferenciação entre dispneia cardíaca e pulmonar. | [BNP](/tests/bnp) |
| **Perfil lipídico** | Avalia fatores de risco cardiovascular (LDL, HDL, triglicerídeos) em pacientes com DAC suspeita ou confirmada. | [Perfil lipídico](/tests/lipid-panel) |
| **Angiotomografia pulmonar (angioTC pulmonar)** | Exame de imagem definitivo para embolia pulmonar quando a suspeita clínica é moderada a alta. | [Angiotomografia pulmonar](/tests/ct-pulmonary-angiography) |
| **Angiotomografia coronariana (angioTC coronariana)** | Avaliação não invasiva da anatomia das artérias coronárias; cada vez mais recomendada como exame de imagem de primeira linha para dor torácica estável conforme diretrizes AHA/ACC de 2021 [3]. | [Angiotomografia coronariana](/tests/coronary-ct-angiography) |
| **Teste de esforço** (exercício ou farmacológico) | Avalia isquemia induzível em pacientes com probabilidade pré-teste intermediária de DAC. | [Teste de esforço](/tests/stress-test) |
| **pHmetria esofágica / manometria** | Indicada quando se suspeita de DRGE ou dismotilidade esofágica após exclusão de causas cardíacas. | [pHmetria esofágica](/tests/esophageal-ph-monitoring) |
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## Populações Especiais
### Crianças e Adolescentes
A dor torácica em pacientes pediátricos é predominantemente benigna; causas cardíacas representam menos de 5 % das apresentações. Etiologias comuns incluem costocondrite, asma induzida por exercício e ansiedade. No entanto, as seguintes situações justificam avaliação urgente por cardiologista pediátrico:
- Dor torácica ao esforço com síncope
- Cardiopatia congênita conhecida
- História familiar de morte súbita cardíaca antes dos 40 anos ou canalopatias hereditárias (Síndrome do QT Longo, Brugada, cardiomiopatia hipertrófica)
- Dor associada a febre e sopro novo (possível miocardite ou doença de Kawasaki)
**Nota sobre medicamentos:** A dosagem de AINEs em crianças deve seguir orientações baseadas no peso (p. ex., ibuprofen 5–10 mg/kg a cada 6–8 h) e deve ser confirmada com um pediatra. A aspirina é geralmente evitada em crianças menores de 16 anos devido ao risco de síndrome de Reye, exceto em condições específicas (p. ex., doença de Kawasaki) sob supervisão de especialista.
### Gestação
A dor torácica durante a gestação pode resultar de alterações fisiológicas (aumento do volume plasmático, deslocamento superior do diafragma, frouxidão ligamentar mediada por hormônios) ou condições patológicas. Considerações importantes:
- **DRGE** é extremamente comum na gestação (prevalência de 30–80 %). O tratamento de primeira linha inclui modificações no estilo de vida e antiácidos. Famotidina e omeprazol são geralmente considerados aceitáveis na gestação quando necessários (antiga categoria B do FDA), mas os médicos devem ponderar benefícios e riscos.
- **Cardiomiopatia periparto** é rara, mas grave; nova dispneia e dor torácica no terceiro trimestre ou no período pós-parto justificam ecocardiografia urgente.
- **Embolia pulmonar** tem risco 4–5 vezes maior durante a gestação e o período pós-parto. O D-dímero está fisiologicamente elevado na gestação, limitando sua utilidade; angioTC pulmonar ou cintilografia V/Q podem ser necessárias.
- **AINEs** devem ser evitados, particularmente após 20 semanas de gestação (risco de fechamento prematuro do ducto arterioso e oligoidrâmnio conforme comunicado de segurança do FDA de 2020).
- **Inibidores da ECA e BRAs** são contraindicados durante toda a gestação (teratogenicidade, toxicidade renal fetal).
### Idosos (≥ 65 anos)
Adultos mais velhos são mais propensos a apresentar **dor torácica atípica ou "equivalentes anginosos"** como dispneia isolada, fadiga ou confusão mental. Considerações importantes:
- **Isquemia silenciosa** é mais prevalente em idosos e em pessoas com diabetes.
- **Polifarmácia** aumenta o risco de interações medicamentosas. AINEs devem ser usados com cautela devido a riscos elevados cardiovasculares, renais e de sangramento gastrointestinal.
- **Estenose aórtica** torna-se cada vez mais comum com a idade e pode se apresentar com dor torácica ao esforço, síncope ou insuficiência cardíaca.
- **Função renal reduzida** pode exigir ajustes de dose para medicamentos como colchicina, enoxaparina e famotidina.
### Atletas
Dor torácica durante o exercício em atletas jovens levanta preocupação sobre:
- **Cardiomiopatia hipertrófica (CMH):** A principal causa de morte súbita cardíaca em atletas jovens. Dor torácica ao esforço, síncope ou história familiar de CMH devem motivar ecocardiografia e possível ressonância magnética cardíaca.
- **Anomalias das artérias coronárias:** Origens coronarianas aberrantes podem causar isquemia ao esforço.
- **Miocardite:** Frequentemente pós-viral; atletas devem ser afastados de competições por 3–6 meses após o diagnóstico conforme consenso AHA/ACC.
- **Commotio cordis:** Um impacto contuso no precórdio durante uma fase vulnerável do ciclo cardíaco pode desencadear fibrilação ventricular — uma emergência médica.
- **Broncoconstrição induzida por exercício** é uma causa benigna comum de aperto no peito em atletas.
A triagem cardiovascular pré-participação (anamnese, exame físico e, em alguns países, ECG) pode identificar indivíduos em risco.
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## Quando Escalar o Atendimento
Use o seguinte esquema para determinar a urgência da avaliação médica:
### Ligue para os Serviços de Emergência (192 / SAMU / 911) Imediatamente
- Dor torácica com quaisquer sinais de alerta listados acima
- Suspeita de infarto (pressão/aperto com duração > 5 minutos, com diaforese, irradiação ou dispneia)
- Dor torácica ou nas costas súbita e intensa (possível dissecção aórtica)
- Dor torácica com sinais de choque (hipotensão, alteração da consciência, palidez)
### Vá ao Pronto-Socorro / Pronto Atendimento (Em Poucas Horas)
- Nova dor torácica em repouso sem sinais de alerta, mas com fatores de risco cardiovascular (tabagismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia, história familiar de DAC precoce)
- Dor torácica pleurítica com imobilização recente, cirurgia ou viagem (risco de EP)
- Dor torácica com febre > 38,5 °C (101,3 °F) e tosse produtiva (possível pneumonia)
- Dor torácica pós-traumática com dificuldade respiratória (fratura de costela, pneumotórax)
### Consulte Seu Médico / Atenção Primária (Dentro de 1–2 Dias)
- Sensibilidade reprodutível e recorrente na parede torácica sem sinais de alerta
- Queimação torácica que se correlaciona com refeições e é parcialmente aliviada por antiácidos
- Aperto no peito associado a transtorno de ansiedade conhecido, sem características novas
- Dor torácica persistente por mais de alguns dias apesar de medidas com medicamentos de venda livre
### Consulta de Rotina (Dentro de 1–2 Semanas)
- Desconforto torácico leve e intermitente claramente musculoesquelético e em melhora
- Acompanhamento após visita à emergência onde causas graves foram excluídas
- Discussão sobre otimização de fatores de risco cardiovascular (lipídios, pressão arterial, cessação do tabagismo)
> **Princípio geral:** Na dúvida, opte por procurar atendimento mais cedo do que mais tarde. Dor torácica é um sintoma em que o custo de um "alarme falso" é muito menor do que o custo de um diagnóstico perdido.
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## Referências
[1] Amsterdam EA, Wenger NK, Brindis RG, et al. 2014 AHA/ACC guideline for the management of patients with non-ST-elevation acute coronary syndromes. *J Am Coll Cardiol*. 2014;64(24):e139–e228. PMID:25260718.
[2] Swap CJ, Nagurney JT. Value and limitations of chest pain history in the evaluation of patients with suspected acute coronary syndromes. *JAMA*. 2005;294(20):2623–2629. PMID:16234498.
[3] Gulati M, Levy PD, Mukherjee D, et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR guideline for the evaluation and diagnosis of chest pain. *Circulation*. 2021;144(22):e368–e454. PMID:34709879.
[4] Collet JP, Thiele H, Barbato E, et al. 2020 ESC guidelines for the management of acute coronary syndromes in patients presenting without persistent ST-segment elevation. *Eur Heart J*. 2021;42(14):1289–1367. PMID:32860058.
[5] Fruergaard P, Launbjerg J, Hesse B, et al. The diagnoses of patients admitted with acute chest pain but without myocardial infarction. *Eur Heart J*. 1996;17(7):1028–1034. PMID:8809520.
[6] Body R, Carley S, McDowell G, et al. Rapid exclusion of acute myocardial infarction in patients with undetectable troponin using a high-sensitivity assay. *J Am Coll Cardiol*. 2011;58(13):1332–1339. PMID:21920261.
[7] Imazio M, Brucato A, Cemin R, et al. Colchicine for recurrent pericarditis (CORP): a randomized trial. *Ann Intern Med*. 2011;155(7):409–414. PMID:21873705.
[8] National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Chest pain of recent onset: assessment and diagnosis. Clinical guideline [CG95]. Updated 2016. Available at: https://www.nice.org.uk/guidance/cg95.
[9] U.S. Food and Drug Administration. FDA Drug Safety Communication: FDA recommends avoiding use of NSAIDs in pregnancy at 20 weeks or later. October 2020. Available at: https://www.fda.gov/drugs/drug-safety-and-availability.
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*Última revisão: abril de 2026. Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Sempre consulte um profissional de saúde qualificado para diagnóstico e tratamento de dor torácica ou qualquer condição médica.*