## Visão Geral
A tosse é um dos sintomas mais comuns que levam à consulta médica em todo o mundo. Definida como uma expulsão súbita e forçada de ar dos pulmões, a tosse funciona como um reflexo protetor essencial que limpa as vias aéreas de muco, irritantes e partículas estranhas. O arco reflexo da tosse envolve receptores sensoriais na faringe, laringe, traqueia e brônquios; nervos aferentes vagais; um centro da tosse no tronco encefálico; e vias motoras eferentes para o diafragma, músculos intercostais e músculos abdominais [1].
Clinicamente, a tosse é classificada por duração: **aguda** (menos de 3 semanas), **subaguda** (3–8 semanas) e **crônica** (mais de 8 semanas) [1]. A tosse aguda é predominantemente causada por infecções virais do trato respiratório superior (ITRS), enquanto a tosse crônica afeta uma estimativa de 5–10 % da população adulta global e está associada a comprometimento significativo da qualidade de vida, incluindo distúrbios do sono, incontinência urinária, dor musculoesquelética e constrangimento social [2].
A tosse é responsável por aproximadamente 30 milhões de consultas médicas por ano somente nos Estados Unidos, e os medicamentos de venda livre para tosse e resfriado representam um mercado de bilhões de dólares. Como a tosse pode sinalizar condições que variam do resfriado comum benigno a neoplasias potencialmente fatais, compreender quando o autocuidado é apropriado e quando a escalação é necessária é essencial.
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## Causas Comuns
As causas a seguir estão classificadas aproximadamente por frequência na população adulta geral. O mecanismo subjacente é indicado para cada uma.
### Tosse Aguda (< 3 semanas)
1. **Infecção viral do trato respiratório superior (resfriado comum, influenza, COVID-19)** — A invasão viral do epitélio respiratório desencadeia inflamação, aumento da produção de muco e estimulação dos receptores de tosse. Esta é, de longe, a causa mais frequente de tosse aguda e geralmente é autolimitada em 7–14 dias.
2. **Bronquite aguda** — Frequentemente pós-viral, a inflamação da mucosa brônquica leva a edema mucoso e hipersecreção de muco. A tosse pode persistir por 2–3 semanas após a resolução dos outros sintomas.
3. **Sinusite aguda** — O conteúdo sinusal infectado drena posteriormente (gotejamento pós-nasal), estimulando os receptores de tosse faríngeos e laríngeos.
4. **Rinite alérgica / exposição a irritantes ambientais** — Alérgenos ou irritantes inalados (fumaça, poeira, vapores) ativam mastócitos e terminações nervosas sensoriais nas vias aéreas.
5. **Pneumonia** — Patógenos bacterianos, virais ou atípicos causam inflamação alveolar e brônquica com acúmulo de exsudato. A tosse é tipicamente produtiva, frequentemente acompanhada de febre e dispneia.
6. **Exacerbação aguda de asma ou DPOC** — Broncoespasmo induzido por gatilhos, edema mucoso e tamponamento mucoso estreitam as vias aéreas e estimulam a tosse.
### Tosse Crônica (> 8 semanas)
A tríade diagnóstica clássica é responsável por aproximadamente 90 % dos casos de tosse crônica em não fumantes com radiografia de tórax normal que não estão tomando inibidores da ECA [4]:
1. **Síndrome da tosse das vias aéreas superiores (STVAS) / síndrome do gotejamento pós-nasal** — A inflamação crônica nasal ou sinusal produz secreções persistentes que irritam a faringe e a laringe.
2. **Asma / asma variante da tosse** — Inflamação crônica das vias aéreas com infiltração eosinofílica e hiperresponsividade brônquica. Na asma variante da tosse, a tosse pode ser o único sintoma apresentado, sem sibilância ou dispneia típicas.
3. **Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)** — Microaspiração de ácido gástrico ou reflexo esofagobrônquico mediado pelo nervo vago estimula os receptores de tosse. Notavelmente, a tosse pode ocorrer sem azia clássica em até 75 % dos casos de tosse relacionada à DRGE.
4. **Bronquite eosinofílica não asmática (BENA)** — Inflamação eosinofílica das vias aéreas sem a hiperresponsividade brônquica observada na asma.
5. **Tosse induzida por inibidor da ECA** — Acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas devido à inibição da enzima conversora de angiotensina. Afeta 5–20 % dos pacientes em uso de inibidores da ECA e pode se desenvolver semanas a meses após o início do uso [4].
6. **Bronquite crônica (DPOC)** — Inflamação crônica da mucosa brônquica, tipicamente causada pela fumaça do cigarro, leva a hiperplasia de células caliciformes, hipersecreção de muco e comprometimento da depuração mucociliar.
7. **Tosse pós-infecciosa** — Inflamação residual das vias aéreas e hiperreatividade brônquica transitória após uma infecção respiratória. Pode persistir por 3–8 semanas ou mais.
8. **Bronquiectasia** — Dilatação permanente dos brônquios com infecção crônica e comprometimento da depuração das secreções.
9. **Neoplasia pulmonar** — Tumores endobrônquicos ou massas mediastinais irritam os receptores das vias aéreas. Geralmente acompanhada de outros sintomas como hemoptise, perda de peso ou dor torácica.
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## SINAIS DE ALERTA
Os seguintes sinais ou combinações de sintomas associados à tosse requerem **atenção médica imediata** (pronto-socorro ou ligar para os serviços de emergência):
- **Hemoptise maciça** — tossir grandes volumes de sangue (geralmente > 100 mL em 24 horas) ou qualquer quantidade que cause comprometimento respiratório
- **Desconforto respiratório grave** — dispneia acentuada em repouso, uso de musculatura acessória, incapacidade de falar frases completas, cianose ou saturação de oxigênio < 92 %
- **Estridor** — som inspiratório de alta frequência sugerindo obstrução das vias aéreas superiores (possível corpo estranho, anafilaxia ou epiglotite)
- **Dor torácica** com instabilidade hemodinâmica — pode indicar embolia pulmonar, pneumotórax hipertensivo ou evento cardíaco agudo
- **Suspeita de aspiração de corpo estranho** — tosse de início súbito com engasgo, especialmente em crianças ou idosos
- **Febre alta (≥ 39,5 °C / 103 °F) com calafrios e tosse produtiva** — preocupante para pneumonia grave ou sepse
- **Sinais de anafilaxia** — tosse com urticária, angioedema, sibilância, hipotensão após exposição a um alérgeno conhecido ou potencial
- **Tosse com confusão mental de início recente ou alteração da consciência** — pode indicar hipóxia, sepse ou emergência neurológica
- **Paciente imunossuprimido com tosse em piora e febre** — risco de infecções oportunistas que requerem investigação urgente
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## Autocuidado em Casa
Para tosse aguda associada a ITRS virais, as seguintes medidas não farmacológicas possuem graus variados de evidência e são geralmente consideradas seguras:
1. **Hidratação adequada** — Manter a ingestão de líquidos pode ajudar a fluidificar as secreções e aliviar as mucosas irritadas. Embora as evidências diretas de ensaios clínicos sejam limitadas, esta recomendação é sustentada por consenso de especialistas em múltiplas diretrizes clínicas [4].
2. **Mel (1–2 colheres de sopa antes de dormir)** — Uma revisão sistemática da Cochrane verificou que o mel pode ser superior ao não tratamento e à difenidramina, e comparável ao dextrometorfano, na redução da frequência e gravidade da tosse em crianças acima de 1 ano de idade e adultos [3]. **NÃO administre mel a crianças com menos de 12 meses** devido ao risco de botulismo infantil.
3. **Ar umidificado** — O uso de um umidificador de névoa fria pode aliviar a tosse relacionada ao ar seco em ambientes fechados. Limpe o aparelho regularmente para evitar crescimento de mofo e bactérias. A evidência é amplamente anedótica, mas a intervenção é de baixo risco.
4. **Irrigação nasal com solução salina** — Lavagens com solução salina isotônica ou hipertônica (por exemplo, lota, frasco de irrigação) podem reduzir o gotejamento pós-nasal e a tosse associada. Uma revisão sistemática apoia seu uso na rinossinusite aguda e crônica [2].
5. **Elevação da cabeça durante o sono** — Dormir com a parte superior do corpo elevada aproximadamente 15–20 cm pode reduzir a tosse noturna associada à DRGE ou ao gotejamento pós-nasal.
6. **Evitar irritantes** — Eliminar a exposição à fumaça de tabaco, odores fortes, aerossóis e poeira pode reduzir a estimulação do reflexo da tosse.
7. **Pastilhas para garganta e líquidos mornos** — Efeitos demulcentes podem aliviar temporariamente a faringe e suprimir o impulso de tossir. Líquidos mornos, como caldo ou chá de ervas com mel, podem proporcionar alívio subjetivo.
8. **Inalação de vapor** — Respirar vapor de uma tigela de água quente pode ajudar a soltar a congestão. Tenha cuidado para evitar queimaduras. A evidência de eficácia é limitada.
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## Medicamentos de Venda Livre Que Ajudam
Os preparados de venda livre para tosse se dividem em várias classes. Uma revisão Cochrane de 2014 concluiu que as evidências para a maioria dos medicamentos de venda livre para tosse são limitadas, e os benefícios em relação ao placebo são modestos, na melhor das hipóteses, para tosse aguda [3]. No entanto, certos agentes podem proporcionar alívio sintomático em pacientes selecionados.
| Classe | Exemplo(s) | Dose Adulta Típica | Observações |
|---|---|---|---|
| **Antitussígeno (ação central)** | Dextromethorphan (DXM) | 10–20 mg a cada 4 horas ou 30 mg a cada 6–8 horas (máx 120 mg/dia) | Atua nos receptores sigma-1 e NMDA no centro da tosse do tronco encefálico. Evitar com IMAOs e fármacos serotoninérgicos (risco de síndrome serotoninérgica). Evidência modesta de eficácia sobre placebo [3]. |
| **Expectorante** | Guaifenesin | 200–400 mg a cada 4 horas (máx 2400 mg/dia) | Proposto para fluidificar o muco e melhorar a depuração mucociliar. Evidência de benefício clínico é inconsistente. Geralmente bem tolerado. |
| **Anti-histamínico de primeira geração** | Diphenhydramine, chlorpheniramine | Diphenhydramine 25 mg a cada 4–6 horas (máx 150 mg/dia) | Pode ajudar na tosse relacionada ao gotejamento pós-nasal por efeitos anticolinérgicos de secagem. Causa sonolência — pode ser benéfico ao deitar. Evitar em idosos devido à carga anticolinérgica. |
| **Antitussígeno tópico** | Menthol (pastilhas, pomadas) | Conforme rótulo do produto | Ativa receptores TRPM8 sensíveis ao frio nas vias aéreas, produzindo sensação de melhora do fluxo aéreo. Evidência limitada, mas risco mínimo. |
| **Descongestionante (oral)** | Pseudoephedrine, phenylephrine | Pseudoephedrine 60 mg a cada 4–6 horas (máx 240 mg/dia) | Reduz a congestão nasal que pode contribuir para a tosse por gotejamento pós-nasal. Contraindicado em hipertensão não controlada, doença coronariana grave e uso de IMAOs. A biodisponibilidade oral de phenylephrine é muito baixa; painel consultivo da FDA considerou-a ineficaz como descongestionante oral. |
| **Produtos combinados** | DXM + guaifenesin; anti-histamínico + descongestionante | Conforme rótulo do produto | Amplamente comercializados. Selecione produtos com base nos sintomas predominantes. Evite duplicar princípios ativos ao tomar múltiplos produtos. |
**Importante:** Anti-histamínicos de segunda geração (não sedativos) como loratadine e cetirizine geralmente **não** são eficazes para tosse associada ao resfriado comum, mas podem ajudar na tosse causada por rinite alérgica.
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## Opções com Prescrição Médica
A terapia prescrita para tosse é reservada para casos em que a causa subjacente foi identificada e o tratamento direcionado é justificado, ou quando a tosse é refratária a medidas de venda livre e afeta significativamente a qualidade de vida.
| Classe | Exemplo(s) | Indicação | Observações |
|---|---|---|---|
| **Corticosteroides inalatórios (CI)** | Fluticasone, budesonide, beclomethasone | Asma, asma variante da tosse, bronquite eosinofílica | Terapia de controle de primeira linha para tosse por eosinofilia das vias aéreas. Tipicamente prescrito por clínico geral ou pneumologista. O início do benefício pode levar 2–8 semanas [2]. |
| **Broncodilatadores inalatórios** | Albuterol (salbutamol), ipratropium | Asma, exacerbação de DPOC | Albuterol relaxa a musculatura lisa brônquica (agonista β2). Ipratropium (anticolinérgico) pode reduzir a secreção de muco e a tosse. |
| **Inibidores da bomba de prótons (IBPs)** | Omeprazole, esomeprazole, lansoprazole | Tosse relacionada à DRGE | Ensaio terapêutico de 8–12 semanas com dose duas vezes ao dia é geralmente recomendado. A resposta pode ser lenta (semanas a meses). Prescrito por clínico geral ou gastroenterologista [4]. |
| **Corticosteroides intranasais** | Fluticasone spray nasal, mometasone | STVAS / rinossinusite crônica | Reduz a inflamação mucosa e as secreções pós-nasais. Primeira linha para tosse crônica associada a STVAS [1]. |
| **Antitussígenos opioides** | Codeine, hydrocodone (em produtos combinados) | Tosse grave refratária | Suprimem o centro medular da tosse. Risco de dependência, depressão respiratória e constipação. A FDA restringe o uso de codeine em pacientes com menos de 18 anos [5]. Usar apenas quando os benefícios claramente superam os riscos. |
| **Gabapentin / pregabalin** | Gabapentin 300–1800 mg/dia | Tosse crônica inexplicada (neurogênica / hipersensibilidade do reflexo da tosse) | Evidências emergentes sugerem que neuromoduladores podem beneficiar a tosse crônica refratária reduzindo a hipersensibilidade do reflexo da tosse. Uso off-label. Geralmente prescrito por especialista [2]. |
| **Antibióticos** | Amoxicillin, doxycycline, azithromycin | Pneumonia bacteriana, sinusite bacteriana aguda, coqueluche | Indicados SOMENTE quando uma causa bacteriana é confirmada ou fortemente suspeitada. O uso inadequado de antibióticos para tosse viral contribui para a resistência antimicrobiana. |
| **Gefapixant** | Gefapixant 45 mg duas vezes ao dia | Tosse crônica refratária em adultos | Antagonista do receptor P2X3 aprovado para tosse crônica inexplicada ou tosse crônica refratária em adultos. Efeito colateral comum: distúrbio do paladar (disgeusia). Prescrito por especialistas [6]. |
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## Exames Laboratoriais Comumente Solicitados
A escolha dos exames depende da duração, do caráter e das características associadas da tosse.
| Exame | Justificativa | Quando Solicitado |
|---|---|---|
| **Radiografia de tórax** | Descarta pneumonia, massa pulmonar, derrame pleural, insuficiência cardíaca, tuberculose | Geralmente exame de imagem de primeira linha para qualquer tosse persistente ou inexplicada > 3 semanas, ou tosse aguda com sinais de alerta |
| **Hemograma completo** ([Hemograma](/tests/complete-blood-count)) | Leucocitose sugere infecção; eosinofilia pode indicar etiologia alérgica ou eosinofílica | Tosse persistente com sintomas sistêmicos |
| **Espirometria com prova broncodilatadora** | Avalia doença obstrutiva das vias aéreas (asma, DPOC) | Tosse crônica, especialmente com sibilância ou dispneia |
| **Fração exalada de óxido nítrico (FeNO)** | FeNO elevado corrobora inflamação eosinofílica das vias aéreas (asma, BENA) | Tosse crônica quando asma ou bronquite eosinofílica é suspeitada |
| **Teste de provocação com metacolina** | Confirma hiperresponsividade brônquica quando a espirometria é normal, mas há suspeita de asma | Avaliação de asma variante da tosse |
| **Cultura e citologia de escarro** | Identifica patógenos bacterianos; eosinófilos no escarro corroboram BENA; citologia rastreia malignidade | Tosse crônica produtiva, suspeita de TB, possível malignidade |
| **TC de tórax (alta resolução)** | Avaliação detalhada do parênquima pulmonar e vias aéreas — detecta bronquiectasias, doença pulmonar intersticial, pequenas massas não visualizadas na radiografia | Tosse crônica com radiografia de tórax anormal ou inconclusiva |
| **pHmetria esofágica de 24 horas / impedanciometria** | Padrão-ouro para diagnóstico de tosse relacionada à DRGE | Tosse crônica quando há suspeita de DRGE, mas o ensaio empírico com IBP falhou |
| **Testes alérgicos (teste cutâneo de puntura ou IgE específica)** ([Painel alérgico](/tests/allergy-panel)) | Identifica gatilhos alérgicos que contribuem para rinite e tosse | Tosse com características clínicas de rinite alérgica |
| **Sorologia / PCR para coqueluche** | Confirma infecção por Bordetella pertussis | Tosse subaguda com qualidade paroxística, vômito pós-tosse ou exposição conhecida |
| **TC de seios da face** | Avalia rinossinusite crônica como causa de STVAS | Tosse crônica com sintomas nasais sem resposta à terapia empírica |
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## Populações Especiais
### Crianças
A tosse em crianças é extremamente comum, com a criança saudável média apresentando 5–8 ITRS virais por ano. Considerações importantes:
- **Crianças com menos de 2 anos:** A FDA e a Academia Americana de Pediatria recomendam fortemente **contra** o uso de qualquer produto de venda livre para tosse e resfriado em crianças menores de 2 anos devido à falta de eficácia comprovada e ao risco de efeitos adversos graves [5].
- **Crianças de 2 a 6 anos:** Medicamentos de venda livre para tosse devem ser usados com cautela e apenas sob orientação de um profissional de saúde. A evidência de eficácia nessa faixa etária é insuficiente [3].
- **Mel** pode ser considerado para crianças **acima de 12 meses** — estudos sugerem que 2,5–5 mL de mel antes de dormir pode reduzir a tosse noturna [3]. **Nunca dê mel a lactentes com menos de 1 ano** (risco de botulismo).
- **Codeine é contraindicada em crianças menores de 18 anos** para tosse, conforme orientação da FDA, devido ao risco de metabolismo ultrarrápido via CYP2D6 levando a depressão respiratória fatal [5].
- **Causas específicas pediátricas** a considerar: aspiração de corpo estranho (especialmente entre 1–3 anos), crupe (tosse ladrante com estridor), coqueluche (especialmente em crianças sub ou não vacinadas) e bronquite bacteriana prolongada.
- **Tosse persistente em crianças > 4 semanas** deve ser avaliada por um pediatra para descartar asma, bronquite bacteriana prolongada e causas menos comuns como fibrose cística ou discinesia ciliar primária.
### Gestação
A tosse durante a gestação requer seleção cuidadosa de medicamentos:
- **Medidas não farmacológicas** (mel, umidificação, irrigação salina, hidratação) são de primeira linha e geralmente consideradas seguras.
- **Dextromethorphan** — Geralmente considerado compatível com a gestação (sem sinal teratogênico claro em dados humanos). Contudo, o uso prolongado ou em altas doses deve ser evitado, e as pacientes devem consultar seu obstetra ou enfermeiro obstetra.
- **Guaifenesin** — Dados humanos limitados; geralmente considerado de baixo risco, mas o uso deve ser discutido com um clínico.
- **Anti-histamínicos** — Chlorpheniramine e diphenhydramine possuem amplos dados de uso na gestação humana e são geralmente considerados aceitáveis quando os benefícios superam os riscos. Consulte as orientações do ACOG [7].
- **Pseudoephedrine** — Alguns estudos epidemiológicos relataram um pequeno aumento do risco de gastrosquise com uso no primeiro trimestre. Evitar no primeiro trimestre; usar com cautela após esse período.
- **Codeine e antitussígenos opioides** — Associados a síndrome de abstinência neonatal e risco teratogênico potencial (embora debatido). Geralmente evitados, a menos que absolutamente necessários.
- **Inibidores da ECA** (causa comum de tosse crônica) são **contraindicados durante toda a gestação** devido à fetotoxicidade. Mulheres que engravidam em uso de inibidor da ECA devem ter sua medicação substituída prontamente.
- O ACOG recomenda que gestantes com tosse persistente sejam avaliadas quanto a causas subjacentes (asma, DRGE, infecção) e manejadas em consulta com seu obstetra [7].
### Idosos
- **Diminuição da sensibilidade do reflexo da tosse** — Adultos mais velhos podem apresentar reflexo de tosse diminuído, aumentando o risco de aspiração silenciosa e pneumonia aspirativa.
- **Carga anticolinérgica** — Anti-histamínicos de primeira geração (diphenhydramine) devem ser evitados ou usados com extrema cautela em idosos, conforme os Critérios de Beers da Sociedade Americana de Geriatria. Os riscos incluem confusão, retenção urinária, quedas e comprometimento cognitivo.
- **Polifarmácia** — Sempre revise a lista de medicamentos. A tosse induzida por inibidor da ECA é comum e pode ser resolvida pela troca para um bloqueador do receptor de angiotensina II (BRA).
- **Comorbidades subjacentes** — A tosse em idosos tem maior probabilidade de representar patologia grave (insuficiência cardíaca, neoplasia, DPOC, tuberculose). Um limiar mais baixo para investigação é justificado.
- **Cautela com descongestionantes** — Pseudoephedrine pode elevar a pressão arterial e deve ser usado com cautela em pacientes idosos com hipertensão ou doença cardiovascular.
### Atletas
- **Broncoconstrição induzida pelo exercício (BIE)** é uma causa comum de tosse durante ou após o esforço em atletas. A prevalência é particularmente alta em esportes de resistência e em clima frio (esqui cross-country, natação).
- O diagnóstico tipicamente requer um teste de provocação por exercício ou teste de hiperventilação voluntária eucápnica.
- O tratamento geralmente envolve o uso pré-exercício de um beta-agonista de curta ação (por exemplo, salbutamol) e, em casos persistentes, corticosteroides inalatórios regulares.
- Atletas devem estar cientes das **regulamentações antidoping** — certos medicamentos requerem uma Autorização de Uso Terapêutico (AUT). Consulte a Lista de Substâncias Proibidas da Agência Mundial Antidoping (WADA).
- **Gatilhos ambientais** — Atletas que treinam em ambientes poluídos, piscinas cloradas ou ar frio podem apresentar tosse por irritantes que se resolve com modificação ambiental.
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## Quando Escalonar
Use as orientações a seguir para determinar o nível adequado de atendimento. Em caso de dúvida, opte por buscar avaliação médica mais cedo.
### Consulta no Mesmo Dia com Clínico Geral / Atenção Primária
- Tosse durando mais de 3 semanas sem melhora
- Tosse produtiva com escarro descolorido (verde ou amarelo) persistindo por mais de 10 dias
- Tosse acompanhada de febre baixa (< 39 °C) por mais de 5 dias
- Tosse com sibilância de início recente ou dispneia aos esforços
- Suspeita de que um medicamento em uso (por exemplo, inibidor da ECA) possa estar causando a tosse
- Tosse perturbando o sono ou o funcionamento diário apesar do autocuidado adequado
### Atendimento de Urgência (No Mesmo Dia ou Dentro de 24 Horas)
- Tosse com dispneia moderada não aliviada pelo repouso ou medicamento de resgate
- Tosse com escarro com raias de sangue (hemoptise de pequeno volume)
- Febre alta (≥ 38,5 °C) com tosse produtiva e mal-estar sugestivo de pneumonia
- Piora da tosse em paciente com DPOC, insuficiência cardíaca ou imunossupressão conhecidos
- Tosse com dor torácica unilateral ou pleurisia
### Pronto-Socorro / Ligar para Serviços de Emergência (SAMU 192)
- Desconforto respiratório grave (veja a seção Sinais de Alerta acima)
- Hemoptise maciça
- Suspeita de aspiração de corpo estranho com comprometimento respiratório contínuo
- Tosse com sinais de anafilaxia
- Tosse com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, alteração da consciência)
- Tosse com dor torácica aguda de início súbito — possível embolia pulmonar ou pneumotórax
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## References
[1] Irwin RS, French CL, Chang AB, Altman KW; CHEST Expert Cough Panel. Classification of Cough as a Symptom in Adults and Management Algorithms: CHEST Guideline and Expert Panel Report. *Chest*. 2018;153(1):196-209. PMID:29080708.
[2] Morice AH, Millqvist E, Bieksiene K, et al. ERS guidelines on the diagnosis and treatment of chronic cough in adults and children. *Eur Respir J*. 2020;55(1):1901136. PMID:31515408.
[3] Smith SM, Schroeder K, Fahey T. Over-the-counter (OTC) medications for acute cough in children and adults in community settings. *Cochrane Database Syst Rev*. 2014;(11):CD001831. PMID:25420096.
[4] Morice AH, McGarvey L, Pavord I; British Thoracic Society Cough Guideline Group. Recommendations for the management of cough in adults. *Thorax*. 2006;61 Suppl 1:i1-i24. PMID:16936235.
[5] U.S. Food and Drug Administration. FDA Drug Safety Communication: FDA restricts use of prescription codeine pain and cough medicines and tramadol pain medicines in children; recommends against use in breastfeeding women. April 2017; updated 2018. Available at: https://www.fda.gov/drugs/drug-safety-and-availability.
[6] European Medicines Agency. Lyfnua (gefapixant) — EPAR summary for the public. 2022. Available at: https://www.ema.europa.eu.
[7] American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Committee Opinion No. 721: Smoking Cessation During Pregnancy; and guidance on medication use during pregnancy and lactation. *Obstet Gynecol*. 2017.
[8] National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Cough (acute): antimicrobial prescribing. NICE guideline [NG120]. 2019. Available at: https://www.nice.org.uk/guidance/ng120.
[9] Chang AB, Oppenheimer JJ, Irwin RS; CHEST Expert Cough Panel. Managing Chronic Cough as a Symptom in Children and Management Algorithms: CHEST Guideline and Expert Panel Report. *Chest*. 2020;158(1):303-329. PMID:32026921.
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*Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Sempre consulte um profissional de saúde qualificado para o diagnóstico e tratamento de qualquer condição médica. Conteúdo revisado pelo Conselho Editorial Médico da PillsCard.*
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